sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Minha paz, cadê você?
Se a loucura é o preço
aqui neste corpo
jaz uma alma

Acalma-te
e descansa
repousa noutro mundo
este já não é seu

sábado, 13 de dezembro de 2008

Urrando!

A fome grita
mais uma criança chora
a fome antes roncava
e a criança dormia,
a fome sempre matou

a criança dizia
que sentia medo
e o medo era da fome
da fome que papa
fome, é bicho- papão

a fome que a criança não pode matar
matou a criança

a fome com dentes afiados do mundo
e a criança com ilusão

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dívida

O destino nos dar
Nos leva ao encontro
Marca o caminho
directo ao acaso
Faz acontecer,
nos faz acreditar
Depois ele cobra
um preço bem alto
E de novo ele vem
afanar nossas vidas

O olhar da noite

Noite bandida,
calada, astuta
cautelosa estuda
o brilho, uma lua

Um uivo acomodado
que corta seu corpo
cansada da queda

No olhar um preparo
que já vai se desbotando
o seu preto, o céu manto
sua inocência, sua culpa

O canto do galo
amargo, abalado
anuncia uma fuga

E de novo ela se vai
para o outro lado,
mas não pensa em parar